Homem Cego



Dentre todas minhas habilidades, a que mais teimo a praticar é o amor próprio. Amar a mim é difícil, ainda mais quando considero parte minha aquilo que faço e crio. Muitas vezes, fico irritada comigo, me odeio por mais motivos do que me amo, mas, no final, acabo me apoiando a superar, pois, é disso de que se trata o amor próprio. Ao menos, deveria ser.

O equilíbrio entre errar e acertar e suas consequências - os sentimentos - é algo custoso a alcançar. Aceitar a humanidade em nosso interior é o primeiro passo, o segundo, é entender que tudo é facilmente superável, porém, quanto mais árdua a reflexão, mais fácil torna-se o ato de se amar.

Desconheço-me entre os desconhecidos, são tão diferentes que me sinto tão contrastante perante sua magnitude, que vejo meus pensamentos contra mim, acusando-me de ser louca. Me sinto tão exemplar quando me comparo aos meus modelos, porém, acabo não me encaixando no molde onde o mundo tenta me colocar. Não gosto desse molde, não porque quero chamar atenção por ser diferente, mas porque me chama atenção a impossibilidade da diferença. Vejo pessoas tão diferentes, com realidades tão diversas, mas que estão em uma mesma caixa, a remendando mais e mais e impedindo que o que há fora entre e, os que estão dentro, saiam. Estar dentro da caixa é confortável, olhar apenas para o horizonte, sem se preocupar se o chão está sob seus pés ou não, é melhor do que andar preocupado a todo tempo em superfície completamente plana. O problema, na realidade, é que a visão humana é falha, nunca enxergará tudo que o seu redor tem a mostrar.

Tento prestar atenção em todos, muitas vezes, é entediante observar as mesmas coisas, sem agir para interrompê-las. Sinto mãos em frente aos meus olhos, impedindo que veja tudo aos mínimos detalhes, apenas escute frases fora de contexto que fazem sentido suficiente juntas, mas quando perguntam a mim, me calo. Posso provar o que não vi?

Estar de olhos fechados em meio à multidão pode ser um momento de reflexão quase silencioso, uma vez que os inúmeros sons se tornam um só. Viajar na raiz das emoções é necessário, mas, quando feito por muito tempo, se torna assustador. O som único se torna rotina, uma oportunidade para descansar, sem cobranças ou deveres, um momento apenas para mim, em meio a infinitos outros. Caminhando entre a fila de pessoas, decido olhar para o lado, onde jamais passei em meu trajeto, e percebo que todos os homens são cegos, e, os que estão abaixo do horizonte escalam, fazem escadas com seus próprios corpos, para tentar atingir nossa atenção.



Aluna: Felicia Drzewinski 1º ano - Ensino Médio Instagram: https://www.instagram.com/perry_dtski/


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