Turma 301 - Sociologia

Atividade de Sociologia


1) Leitura dos textos a seguir:


Estrutura e estratificação social

Estrutura social é o que define determinada sociedade. Ela se constitui da relação entre os vários fatores – econômicos, políticos, históricos, sociais, religiosos, culturais - que dão uma feição para cada sociedade.

Uma das características da estrutura de uma sociedade é sua estratificação, ou seja, a maneira como os diferentes indivíduos e grupos são classificados em estratos (camadas) sociais e o modo como ocorre a mobilidade de um nível para outro.

A questão da estratificação social foi analisada pelo sociólogo brasileiro Octávio Ianni, em diferentes sociedades, com base, fundamentalmente, na forma como os indivíduos organizam a produção econômica e o poder político. Para estudar a estratificação em cada sociedade é necessário que se verifique “como se organizam as estruturas de apropriação (econômica) e dominação (política)”, afirma Ianni na introdução do livro Terias da estratificação social. Entretanto, essas estruturas são atravessadas por outros elementos – como a religião, a etnia, o sexo, a tradição e a cultura-, que, de uma forma ou de outra, influem no processo de divisão social do trabalho e no processo de hierarquização.

A estratificação social e as desigualdades decorrentes são produzidas historicamente, ou seja, são geradas por situações diversas e se expressam na organização das sociedades em sistemas de castas, de estamentos ou de classes.


As sociedades organizadas em castas

O sistema de castas é uma configuração social de que se tem registro em diferentes tempos e lugares. No mundo antigo, há vários exemplos da organização em castas (na Grécia e na China, entre outros lugares). Mas é na Índia que está a expressão mais acabada desse sistema.

A sociedade indiana começou a se organizar em castas e subcastas há mais de 3 mil anos, adotando uma hierarquização baseada em religião, etnia, cor, hereditariedade e ocupação. Esses elementos definem a organização do poder político e a distribuição da riqueza gerada pela sociedade. Apesar de na Índia haver hoje uma estrutura de classes, o sistema de castas permanece mesclado a ela, o que representa uma dificuldade a mais para entender a questão. O sistema sobrevive por força da tradição, pois legalmente foi abolido em 1950.

Pode-se afirmar, em termos genéricos, que existem quatro grandes castas na Índia: a dos brâmanes (casta sacerdotal, superior a todas as outras), a dos xátrias(casta intermediária, formada normalmente pelos guerreiros, que se encarregam do governo e da administração pública), a dos vaixás (casta dos comerciantes, artesãos e camponeses, que se situam abaixo dos xátrias) e a dos sudras( a casta dos inferiores, na qual se situam aqueles que fazem trabalhos manuais considerados servis). Os párias são os que não pertencem a nenhuma casta, e vivem, portanto, fora das regras existentes. Entretanto, há ainda um sistema de castas regionais que se subdividem em outras tantas subcastas.

O sistema de castas caracteriza-se por relações muito estanques, isto é, quem nasce numa casta não tem como sair dela e passar para outra. Não há, portanto, mobilidade social nesse sistema. Os elementos mais visíveis da imobilidade social são hereditariedade, a endogamia (casamentos só entre membros da mesma casta), as regras relacionadas à alimentação (as pessoas só podem ter refeições com o membros da própria casta e com alimentos preparadas por elas mesmas) e a proibição do contato físico entre membros das castas inferiores e superiores. Repulsão, hierarquia e especialização hereditária: estas são as palavras-chave para definir o sistema de castas, de acordo com o sociólogo francês Céléstin Bouglé, discípulo de Durkheim.

Mas nenhum sistema é totalmente rígido, nem o de castas. Embora seja proibido, as castas inferiores adotam costumes, ritos e crenças dos brâmanes, e isso cria certa homogeneidade de costumes entre castas. A rigidez das regras também é relativizada por casamentos entre membros de castas diferentes (menos os brâmanes), o que não é comum, mas acontece.

A urbanização e a industrialização dos padrões comportamentais do Ocidente têm levado elementos de diferentes castas a se relacionarem. Isso vai contra a persistência dos padrões mais tradicionais, pois, no sistema capitalista, no qual a Índia está fortemente inserida, a estruturação societária anterior só se mantém se é fundamental para a sobrevivência do próprio sistema. No caso específico da Índia, o sistema de castas está sendo gradativamente desintegrado, o que não significa, entretanto, que as normas e os costumes relacionados com a diferenciação em castas tenham desaparecido do cotidiano das pessoas. Isso é confirmado pela existência de programas de cotas de inclusão para as castas consideradas inferiores nas universidades públicas.


Castas

“[...] a palavra castaparece despertar, de início, as ideias de especialização hereditária. Ninguém, a não ser o filho, pode continuar a profissão do pai; e o filho não pode escolher outra profissão a não ser do pai. [...] É um dever de nascimento. [...] A palavra casta não faz pensar apenas nos trabalhos hereditariamente divididos, e sim também nos direitos desigualmente repartidos. O “estatuto” pessoal de uns e de outros é determinado, por toda a Vida pela categoria do grupo ao qual pertencem.

Quando declaramos que o espirito de casta reina em dada sociedade, queremos dizer que os vários grupos dos quais essa sociedade é composta se repelem, em vez de atrair-se, que cada um desses grupos se dobra em si mesmo , se isola, faz quanto pode para impedir seus membros de contrair aliança ou, até, de entrar em relação com os membros dos grupos vizinhos. [...]


Repulsão, hierarquia, especialização hereditária, o espirito de casta reúne essas três tendências. Cumpre retê-las a todas se se quiser chegar a uma definição completa do regime de castas.


BOUGLÉ, C. O sistema de castas. In: IANNI, Octávio (org.). Teorias da estratificação social. São Paulo: Nacional, 1973. p. 90 e 91.

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